Sandra Bastos
São 10 anos de actividade, numa diversidade de formações que vão desde o agrupamento de câmara até a uma orquestra de ópera, apresentando-se não só em Portugal como também em digressões por todo o mundo. Divino Sospiro, orquestra em residência no CCB, diz ser reconhecida pela sua “entrega, curiosidade e forma intensa com que aborda o desafio da interpretação musical historicamente informada com o objectivo de acordar um novo gosto estético, uma nova paixão pelo “ouvir””.
Ontem, 18 de Abril, o ensemble festejou o seu décimo aniversário com uma festa especial, num concerto que juntou amigos como Gemma Bertagnolli (soprano), António Jorge Gonçalves (desenho em tempo real), Nuno Meira (desenho de luzes), entre outros. O programa musical incluiu várias peças amadas do repertório dos Divino, que marcaram o seu percurso. Sob a direcção de Massimo Mazzeo, interpretaram obras de J.B. Lully (Le Bourgeois Gentilhomme); Handel (Water Music, 1ª suite e “Arianna di Creta”); P. A. Avondano (Morte d’Abel); D. Scarlatti-Ch. Avison (Concerto Grosso Nº5 em re menor); P. A. Avondano (Scena di Berenice) e Corelli-F. S. Geminiani (La Follia).
“um agrupamento com a sua vox propria e um modus vivendi capaz de seduzir qualquer um”
Massimo Mazzeo, director artístico e musical, diz que “o aparecimento de Divino Sospiro no meio da interpretação da música antiga em Portugal aconteceu num momento de impasse onde, aparentemente, não parecia possível recolher a herança de quem no passado tinha dado voz à necessidade desta experiência estilística e estética”.
“Para além de um grande esforço artístico, acima de tudo ético, foi necessário, para inverter esta tendência, apostar em jovens músicos e em profissionais mais experientes que tivessem a capacidade de acolher o desafio, aceitando no seu todo os sacrifícios e a entrega que tudo isso iria significar, quer nas questões aparentemente mais simples, quer nas questões da mais alta conceptualização artística, caracterial e intelectual. Este processo teve como resultado a criação de um agrupamento com a sua vox propria e um modus vivendi capaz de seduzir qualquer um que com ele entrasse em contacto”, acrescenta.
“formas diferentes de abrir novos percursos profissionais e de recuperar património cultural”
Reconhece que os resultados têm sido melhores do que seria de esperar, tendo em conta a tradição musical portuguesa: “Desde os prestigiados festivais de Ambronay, Paris, Nantes, Tokyo até a personalidades como Chiara Banchini, Rinaldo Alessandrini, Gemma Bertagnolli, Deborah York, Alfredo Bernardini, Christophe Coin, Katia e Marielle Labeque, , apenas mencionando alguns nomes, todos ficaram marcados pela atitude de contagiante entusiasmo que caracteriza a maneira de fazer música do DS”.
Ao fim de 10 anos de trabalho, Massimo Mazzeo confirma que este ensemble se encontra “entre as realidades musicais mais queridas entre os melómanos e agentes culturais de Portugal e não só”. Com efeito, os Divino foram criando “formas diferentes de abrir novos percursos profissionais e de recuperar património cultural, especialmente o da música portuguesa, de valor universal”.
Destaca ainda o trabalho de Enrico Onofr: “personalidade de alto valor artístico, que ao longo de 10 anos esteve ao nosso lado com entusiasmo e generosidade”. E realça “o esforço e a escolha corajosa feita pelo Centro Cultural de Belém que tem sublinhado a necessidade de acreditar e apoiar uma realidade com características artísticas e éticas fortes, apostando nos seus jovens artistas”.