Sandra Bastos
Foi a primeira vez que Ester Sena Santos concorreu ao Prémio Jovens Músicos (PJM), nível médio, por sugestão da sua professora. “Achei que seria bom para rodar o repertório que estava a preparar e trabalhar novo repertório também”, explica.
“muito estudo, muitas aulas, muitas gravações e principalmente muitas audições”
A preparação para as provas envolveu “muito estudo, muitas aulas, muitas gravações e principalmente muitas audições”, nomeadamente com a peça contemporânea: “Foi difícil conseguir entrar no carácter da obra e conseguir transmitir tudo o que a compositora referia na partitura”.
Recorda os momentos antes de começar as provas como os mais difíceis, por sentir que podia não estar tão bem preparada nem ao nível dos outros concorrentes. A par destes pensamentos, teve de lidar com a exigência física e mental que o repertório implicava. “A duração e o nível do repertório é um desafio para os jovens que estão a começar a sua carreira agora. É uma coisa que, para mim, ainda não estava muito habituada”, conta.
Ensaios “incríveis” com a Orquestra Gulbenkian
Por outro lado, o momento mais emocionante foi quando soube que ganhou o 1º Prémio: “Não estava mesmo à espera, para ser honesta pensava que ia receber menção honrosa”.
O auge aconteceu quando tocou a solo com a Orquestra Gulbenkian. Destaca “os ensaios incríveis” e a partilha do palco com músicos profissionais. “Poder ser acompanhada por umas das orquestras mais conceituadas de Portugal é um privilégio”, sublinha.
“Aprendi muita coisa sobre mim e refleti bastante”
Para Ester, o PJM “oferece muitas coisas boas, muitas oportunidades e o mais importante, muitas aprendizagens”.
No seu caso, ficou a conhecer como é participar num concurso: “Aprendi muita coisa sobre mim e refleti bastante. Deu-me uma liberdade a nível pessoal, porque foi um desafio que consegui cumprir e isso fez com que a minha autoestima aumentasse. Aprendi a lidar melhor com os nervos, com a ansiedade e para mim isso foi bastante importante.”
“feliz por fazer música e poder partilhá-la com o público”
No Concerto de Laureados com a Orquestra Gulbenkian estava muito nervosa, mas “feliz por fazer música e poder partilhá-la com o público”. No final, os aplausos foram inesquecíveis: “Não estava à espera de tantos aplausos, fiquei mesmo muito feliz. É um dos momentos da minha vida que nunca irei esquecer.”
Agradece o apoio que recebeu da família, amigos, professores, companheiros e de todas as pessoas que a apoiaram. No seu percurso, realça o papel do projeto da Orquestra Geração, da Escola Profissional Metropolitana e do Conservatório Nacional.
“Sempre gostei muito do volume e do poder sonoro de uma orquestra sinfónica”
A paixão pelo violoncelo nem sempre foi estável. Começou a aprender este instrumento porque lho foi oferecido quando tinha 6 anos. Por vezes, questionou se queria mesmo continuar a estudar violoncelo. “Houve alturas em que eu me perguntava o porquê de ainda estar a tocar violoncelo, com as dores que tinha e que tenho quando toco. Existe alturas que eu penso se vale mesmo a pena seguir este caminho, mas depois me lembro-me que de, quando era mais nova e estava a tocar em orquestra, quando chegava ao clímax da obra”, explica.
“Sempre gostei muito do volume e do poder sonoro de uma orquestra sinfónica, e também das texturas, das diferenças de cor e de dinâmica que me causavam arrepios e me causam até aos dias de hoje”, confessa.
“É isso que eu gosto no mundo da música, cada um consegue aproveitar da versatilidade”
No futuro, Ester Sena Santos gostaria de “fazer um pouco de tudo; solo, música de câmara, orquestra, e vários outros projetos inovadores”: “É isso que eu gosto no mundo da música, cada um consegue aproveitar da versatilidade.”
O seu objetivo “é estar 100 por cento confortável” consigo e com o seu instrumento, “estar preparada e ter bastantes ferramentas e maneiras de forma a conseguir preparar e interpretar todo o tipo de repertório”.
“uma geração inovadora, criadora de novos estilos”
Sobre a sua geração, considera que apesar de não querer esquecer o passado, as bases, onde tudo começou, é “uma geração inovadora, criadora de novos estilos, novas variantes, bastante criativas e cultas”.
“Vejo uma geração de músicos prontos para fazer música, músicos com paixão por aquilo que fazem.”, acrescenta.
Ester Santos
Ester Santos nasceu a 11 de julho de 2006 em Lisboa, onde reside até à data. Aos 8 anos iniciou os seus estudos musicais em violoncelo na Orquestra Geração sob a orientação da professora Ana Cláudia Serrão, e com o apoio dos professores: Luís Azevedo, Sandra Martins, Juan Carlos Maggiorani, Helena Lima, António Wagner Diniz.
Participou em vários projetos tais como: Gravação de CD e apresentação para as comemorações dos 50 anos do 25 de abril, com obra de Bruno Pernadas; atou para a presidência da República, Projeto Firebird- Academy Impact through Music (AIM), Superar Suisse, Projeto Pop-Up. Teve oportunidade de trabalhar com maestros renomeados tais como: Gustavo Dudamel, Ulyses Ascanio, José Jesús Olivetti e Jan Wierzba. Também foi selecionada para viajar por vários países na Europa a representar o projeto, tais como: Inglaterra, Áustria, Suíça e Espanha.
Trabalhou com maestros e músicos renomeados tais como: Jesús Uzcategui, Jennifer Stumm, Tai Murray, Rodolfo Barráez, Laida Alberdi, Carlo Taffuri. Tocou em várias salas, teatros e auditórios tais como: Teatro São Carlos, Teatro São Luiz, Royal Festival Hall – Londres, Birmingham Concert Hall – Birmingham, Tonhalle Zürich - Zurique, Palau de la Música Catalana – Barcelona, Grande Auditório Gulbenkian, Museu da Arte Antiga, Sala Suggia – Casa de Música, Altice Arena, Biblioteca da Academia das Ciências.
Em 2018 teve a oportunidade de participar no concurso para cordas friccionadas de António Capela onde ganhou 1.º prémio na Categoria B de violoncelo. Como prémio, teve o privilégio de tocar por um ano num violoncelo feito por António Capela. Nesse mesmo ano ingressou na Escola Metropolitana de Lisboa também sob a orientação da professora Ana Cláudia Serrão, onde ficou até 2022. Durante esse período, teve várias masterclasses com violoncelistas renomeados tais como: Paulo Gaio Lima, Hugo Paiva, Maria de Macedo, Luís Sá Pessoa, Nuno Abreu, Maria Teresa Valente Pereira, Ophélie Gaillard, Tatiana Leonor, Ricardo Ferreira.
Participou em vários concertos com a Orquestra Clássica Metropolitana sob a direção de Reinaldo Guerreiro, e com a Orquestra Académica Metropolitana sobre a direção de Jean-Marc Burfin.
Concorreu no Concurso Vecchi-Costa em 2021, onde ganhou 2o prémio na categoria B, e em 2022, onde ganhou 1.º prémio na categoria B de violoncelo. Em 2022, ingressou no Conservatório Nacional de Lisboa na classe de violoncelo da professora Catherine Strynckx, onde teve a oportunidade de tocar em vários locais ao longo do país: no Palácio da Ajuda, na Sala dos Serenins, na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, na Aula Magna, no Cinema São Jorge, na Quinta da Regaleira, no Centro Cultural de Belém.
Frequentou masterclasses com: Kyril Zlotnikov, Marco Pereira, Levon Mouradian, Varoujan Bartikian, no Verão Clássico com Filipe Pinto-Ribeiro e Lars Anders Tomter (no âmbito de música de câmara). Fez a estreia mundial da peça “Por outras palavras” de Anne Victorino D’Almeida, fez uma apresentação a solo para a abertura da ópera “The Turn of the Screw” de Benjamin Britten no CCB.
Teve a oportunidade de trabalhar com muitos professores do Conservatório tais como: Tiago Oliveira, Ana Tomasik, João Andrade, Fernando Costa, Luís Sá Pessoa, Luís Pacheco Cunha, Helena Raposo, Flávia Castro, Miguel Ivo Cruz, Ruben Saints. Teve a oportunidade de participar no concurso de cordas Vasco Barbosa onde ganhou o 1.º prémio na categoria de violoncelo juvenil, no concurso Vecchi-Costa em 2023, onde o 1.º prémio na categora A, no concurso Ilda Moura onde ganhou o 1.º prémio no escalão D e o prémio especial Ilda Moura, no concurso Prémio Jovens Músicos onde ganhou o 1.º prémio na categoria de violoncelo médio.
Realizou provas para orquestras como: Mediterranean Youth Orchestra, Gustav Mahler Jugendorchester, Schleswig Holstein Festival Orchestra (onde foi selecionada para participar). Participou em duas edições da OJ.com (2023-Braga, 2024-Loulé) onde foi escolhida para ser chefe de naipe, sobre a direção de Jan Wierzba.
Foi selecionada para ser bolseira pelo Rotary Club Lisboa e participou no festival de cordas em Ferreira do Zêzere, onde teve a oportunidade de tocar a solo com a orquestra. Foi selecionada para participar na Jovem Orquestra Portuguesa na temporada de 2024/2025. Teve também a oportunidade e o privilégio de tocar no único violoncelo Stradivarius em Portugal.
Atualmente, Ester irá continuar os seus estudos na Escola Superior de Música de Lisboa na classe do professor Levon Mouradian.
Fotos: André Roma e Jorge Carmona/Antena 2